Flashlight – Jessie J – Trilha Sonora contra o câncer

(mais…)

Compartilhe no Facebook

Digite seu endereço de e-mail e fique informado gratuitamente e clique em ENVIAR:






5º episódio da série sobre o câncer 2016 – Jornal Nacional

5º e último episódio – Série sobre o câncer

Demora no início do tratamento faz brasileiros conviverem com o câncerÚltima reportagem da série especial mostra que a dificuldade de conseguir tratamento depois do diagnóstico pode reduzir as chances de cura.Na última reportagem da série especial sobre o câncer no Brasil, o Jornal Nacional mostra que a dificuldade de conseguir tratamento depois do diagnóstico, pode reduzir as chances de cura. A pessoa tem que aprender a conviver com a doença. É nessa hora que começa a batalha por prolongar a vida com qualidade.Uma jovem aproveitando cada momento de prazer. E de repente chega a notícia: ela tem câncer.“O mundo caiu ali. Naquele exato momento”, conta Karina Pereira de Oliveira, corretora de imóveis.Mas é em seguida que vem o verdadeiro tsunami.“A notícia da metástase foi pior que a do próprio câncer. Porque o que ocorre? Quando você pensa em metástase você pensa: eu vou morrer”, diz.Tudo isso foi há dois anos. Karina tinha começado a quimioterapia quando descobriu que a doença estava também no pulmão, no fígado, em alguns ossos. Ela conta que o primeiro clínico que a atendeu no posto de saúde não quis examinar todos os nódulos que tinha.Karina: Ele examinou da axila, mas do seio ele se recusou. Ele não quis olhar.Jornal Nacional: Nem te encaminhou?Karina: Não.Jornal Nacional: Isso atrasou o diagnóstico?Karina: Isso foi em abril de 2013 e o diagnóstico foi em julho.O Brasil registra cerca de 50 mil novos casos de câncer de mama por ano. Segundo estudo publicado na revista médica Lancet, enquanto nos Estados Unidos cerca de 60% das mulheres descobrem a doença nos estágios iniciais e fáceis de tratar, aqui isso só acontece em 20% dos casos.A falta de consultas e exames nos serviços públicos põe as brasileiras em risco.“O nódulo, quando ele é palpável do tamanho de uma azeitona, ele é curável em mais de 80% das vezes. Se ele cresce e chega a atingir o tamanho de um limão, nós curamos 50%. Se chega ao tamanho de uma laranja – que é onde predominam em algumas regiões do Brasil – a chance de cura é bem menor”, aponta Luiz Henrique Gebrim, diretor médico do Hospital Pérola Byington.Quase metade das pacientes com câncer de mama, que usam o SUS na cidade de São Paulo, é tratada no Hospital Pérola Byington. O diretor do hospital defende uma sequência de medidas para enfrentar a doença: treinar médicos e enfermeiras para o exame de apalpação das mamas e acelerar as biopsias são tão importantes quanto garantir a mamografia e o diagnóstico rápido dos casos suspeitos.“No Hospital Estadual Pérola Byington, nós reduzimos de 40% a incidência de câncer avançado pra 20%, reduzindo só o início de tratamento em função da biopsia”, afirma o diretor.A cura é sempre o principal objetivo de quem luta contra o câncer. Mas há um grupo de pacientes que descobre a doença mais tarde. Gente que perde a batalha da cura e passa a enfrentar uma outra: a batalha por mais tempo.No caso da Rayssa da Cunha Medeiros, o tempo teve a cara rechonchuda de um milagre. Ela descobriu e começou a tratar um câncer de mama quando estava grávida. E a metástase veio depois que Gabriel nasceu. O tratamento deu a ele a chance de conhecer e conviver com a mãe. Gabriel já tem seis anos.“Esses medicamentos que tomo hoje, eles me deixam mais tempo aqui pra cuidar do meu filho e eu tenho uma qualidade de vida muito boa, graças a Deus. Conheço várias pessoas que são tratadas pelo SUS e que não estão mais aqui pra contar a história, amigas minhas. Realmente as vezes o tratamento pelo SUS é mais desumano que a própria doença”, comenta a administradora.A quimioterapia é um coquetel usado para conter ou destruir as células do câncer. Conseguir as drogas mais avançadas no SUS não é fácil. Doutor Hézio conhece as duas realidades. Tem consultório particular e está na linha de frente do serviço público.Jornal Nacional: Quantos pacientes o senhor vai atender hoje?Dr. Hézio Jadir Fernandes Júnior, diretor clínico do Instituto do câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho: Hoje são entre 55 e 60 pacientes.Jornal Nacional: É muita gente.Dr. Hézio: É bastante.É um senhor desafio e ele ainda tem que ficar de olho na tabela colada na mesa de trabalho. Lá estão os tratamentos e remédios que o SUS cobre para cada tipo de câncer.Jornal Nacional: Essa tabela é renovada com frequência?Dr. Hézio: Não.Jornal Nacional: E isso limita o trabalho do médico do SUS?Dr. Hézio: Sim, com certeza. Você tem que encaixar o seu paciente naquilo que o SUS paga pra sua instituição. Não é o mesmo que você faz na medicina privada. Um dos remédios que ajudam a manter Rayssa viva é o mesmo que Karina sonha em usar: o trastuzumabe. Mas no SUS ele só é liberado para quem não tem metástase.“Um absurdo. Um absurdo porque se eu me trato de câncer, você se trata de câncer, eu tenho direito como você também tem”, lamenta.O Ministério da Saúde reconhece que a luta dos pacientes é legítima, mas argumenta que o sistema tem que atender o maior número possível de pessoas. “A dificuldade do Sistema Único de Saúde é o tamanho dele. E mesmo que nós tivéssemos recursos ilimitados, nós não incorporaríamos tudo. Então casos isolados eles nos mobilizam sim, mas eles são extrapoláveis pra uma política de saúde nacional ou não. Pode ter um benefício pra um indivíduo? Sim. Isso significa que tenho que extrapolar pra todos os indivíduos que são atendidos? Talvez não”, aponta Alberto Beltrame, secretário nacional de Atenção à Saúde.“Eu acho que obviamente deve haver uma negociação do governo com as indústrias farmacêuticas existem obviamente jeitos de tentar diminuir o custo. Se você não tiver investimento, não tiver melhor gestão, você vai ter uma dificuldade gigantesca de aparelhar o sistema do modo consciente e racional pra poder ajudar o maior número de brasileiros e brasileiras”, comenta Fernando Cotait Maluf, diretor do Centro Oncológico Antônio Ermírio De Moraes – SP.Um relatório do Tribunal de Contas da União mostra que o governo paga caro demais pelos remédios. Em 43 dos 50 princípios ativos mais vendidos em 2010, o Brasil pagava preços mais altos que a média internacional. Um exemplo que chamou a atenção foi exatamente o do trastuzumabe.Em dezembro de 2012, o Ministério da Saúde economizou bastante comprando um lote grande – mais de 19 mil unidades do remédio para o câncer de mama. Pagou R$ 3.423,20 por unidade. No mesmo ano, a mesma droga chegou a ser comprada por R$ 9.206,00 – o triplo do valor.“O Ministério da Saúde tem feito compras centralizadas em volume cada vez maior de medicamentos. Nós temos medicamentos aqui, dependendo das negociações feitas, que tem preços menores do que os internacionais. O gestor tem que estar muito atento na forma em que isso se apresenta”, diz Alberto Beltrame.A batalha para conseguir remédio não é a única pra Karina. Ela trata o câncer de mama num lugar, o de osso em outro e faz exames e aplicações num terceiro hospital.É o jeito que a moça bonita e alegre encontrou de ir dando corda no relógio da vida.“Eu quero aproveitar mais aquilo que é novo que está aparecendo na minha vida. Eu dou meu jeito, eu corro atrás”, afirma Karina.Na quinta-feira (28) o Jornal Nacional mostrou a importância de que doadores de medula mantenham seus cadastros atualizados no Redome. Os brasileiros atenderam! E o número de atualizações que girava em torno de 150 por dia, saltou para mais de 2,4 mil.O pico de acesso aconteceu logo depois de a reportagem ir ao ar. Foi um movimento tão grande que algumas mensagens de erro surgiram no site, mas o Redome garante que todas as atualizações foram processadas.

Publicado por Combate ao Câncer em Sexta, 5 de fevereiro de 2016

4º episódio da série sobre o câncer 2016 – Jornal Nacional

Quarto episódio – Série sobre o câncer

Crise no Inca do Rio de Janeiro afeta tratamento de pacientes com câncerInstituto Nacional do Câncer foi criado para definir a política de combate à doença no país. No entanto, crise é a palavra que mais se ouve no local.O Instituto Nacional do Câncer tem uma previsão triste para os próximos quatro anos: a de que essa doença, o câncer, deva se tornar a principal causa de morte de brasileiros.Na quarta reportagem da série que o Jornal Nacional dedica ao assunto nesta semana, a Graziela Azevedo e o Ronaldo de Souza mostram que o Inca enfrenta muitas dificuldades, neste momento.“O Inca precisa de pessoal. O Inca precisa de espaço físico e o Inca precisa, principalmente, do entendimento dessas questões pelos gestores públicos”, diz o chefe de Urologia do Inca, Franz Campos.Há pelo menos 10 anos, crise é a palavra que mais se ouve no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro.“Nós não podemos abrir todas as salas, nós temos menos cirurgias por conta disso. E muitos doentes são penitenciados por esses problemas que nós vivemos”, afirma o chefe de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca, Roberto Araújo Lima.Além de atender pacientes, o Inca tem a função de coordenar as políticas de prevenção e controle do câncer no Brasil.“O que está faltando é capacidade de gestão. Acho que o que falta é uma visão de técnicos. Colocar os técnicos nos seus devidos lugares”, diz o ex-chefe de Cirurgia Abdominal e Pélvica do Inca, José Paulo de Jesus.O Inca perdeu funcionários e não consegue mais nem segurar os médicos que são formados lá. “Já no final da residência deles, eles já têm uma oferta muito grande de ir para o mercado privado, ganhando altos salários”, conta o vice-diretor geral do Inca, Luís Felipe Ribeiro Pinto.Mas é lá que são atendidos mais da metade dos pacientes com câncer que dependem do SUS no Rio de Janeiro. Por ser referência em pesquisa e tratamento, o Inca recebe também doentes de várias partes do Brasil. Quando o paciente consegue chegar e se tratar, os elogios são muitos.“Temos acompanhamento com psicólogo, temos acompanhamento com psiquiatra. Sinto muita segurança aqui”, relata Rosane Moraes, mãe de paciente.Mas no Inca, como em outros centros públicos de excelência, há também padecimento e espera. “Levou uns seis ou oito meses até que conseguimos. Marcou a cirurgia, aí ele veio, e agora foi feita a cirurgia, está correndo tudo bem”, diz Juarez Dias Petreiro, irmão de um paciente.Juarez acompanha o irmão, que passou por retirada e reconstrução da bexiga. Se tivesse descoberto o câncer no início, o tratamento seria bem simples e barato.É para diminuir a espera, as filas, que todos no Inca sonham com o prédio novo, que já deveria estar em construção. O Inca está na luta como seus pacientes.“Tenho certeza de que nós vamos retomar esse protagonismo, essa forma como o instituto sempre foi tratado e muito reconhecido pela população”, acredita o diretor geral do Inca, Luís Fernando Bouzas.O Ministério da Saúde admite que o Inca passou por problemas para se adaptar às exigências do Ministério Público em relação ao quadro de funcionários.“Nós tivemos que substituir 500 servidores de lá, gerou uma insatisfação e uma certa turbulência. Mas é uma instituição pacificada, com uma nova direção. A cada movimento que o Ministério faz sempre é buscando o fortalecimento da instituição”, afirma secretário nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame.Já houve um tempo em que o cidadão que não tinha recursos, plano privado ou carteira de trabalho assinada, deveria tentar a sorte em uma santa casa ou hospital de caridade. O doente nessas condições era chamado de indigente. O SUS foi criado na Constituição de 1988 para garantir a saúde como um dever do Estado e um direto de todos os brasileiros. E todos nós um dia já precisamos ou podemos precisar que esse sistema funcione.Felipe está cercado do que há de melhor. Tem plano de saúde internacional e luta contra uma leucemia linfoide aguda em um hospital particular de São Paulo. “A única forma de salvar a vida dele é fazendo um transplante de medula”, afirma Victor Mattar Mucare, pai de Felipe.Um procedimento que depende do SUS. “Depende do sistema público, tivemos que fazer o cadastro sim no SUS e depende de o sistema público ser eficiente e rápido para encontrar”, relata o pai.A cada problema aumenta a agonia. Às vezes o doador mudou de endereço, não avisou e não foi encontrado. Às vezes, o serviço que coleta sangue está limitado por verbas e cotas e não recebe novos doadores.A espera já passa de oito meses e não tem sido fácil. Para Marcel, também não. Ele conseguiu doador compatível, mas, como se trata pelo SUS, o que faltou para ele foi leito. O Redome tem 28 funcionários e um sistema de informática que une quem espera por medula a doadores cadastrados.“É hoje o terceiro maior registro de doadores do mundo, tem cerca de 3,8 milhões doadores cadastrados e é muito importante para aqueles que precisam realizar um transplante de medula óssea”, afirma Luís Fernando Bouzas.Quem ainda não achou doador compatível quer mais gente no cadastro e faz um apelo a todos.“Que o brasileiro se conscientize que ele tem que atualizar o cadastro dele junto ao Redome, entrar no site do Inca e fazer a atualização. Segundo, que o Redome tenha mais pessoas para trabalhar lá. Que o Governo Federal injete recursos lá para que o sistema funcione rapidamente e adequadamente”, pede Vitor Mattar Mucare, pai de Felipe.O menino Felipe continua internado à espera de um doador compatível. Outro menino citado na reportagem, o Marcel, fez o transplante de medula e passa bem.Uma informação importante: quanto maior for a diversidade genética do banco de doadores, maiores são as chances de quem está na fila. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, o número de doadores ainda é considerado pequeno. Já no Sul e no Sudeste, é fundamental que os doadores mantenham os dados de contato atualizados.

Publicado por Combate ao Câncer em Quinta, 4 de fevereiro de 2016

3º episódio da série sobre o câncer 2016 – Jornal Nacional

Terceiro Episódio – Série sobre o câncer

Filas para cirurgias aumentam angústia de pacientes com câncerApesar de lei determinar o tratamento aos pacientes até 60 dias depois do diagnóstico, não é isso que é encontrado na prática. O Jornal Nacional está apresentando essa semana uma série especial sobre as deficiências no atendimento a pacientes de câncer no Brasil. Apesar de uma lei determinar o início do tratamento até 60 dias depois do diagnóstico, não é isso que acontece na prática. A imagem impressiona. O que parece um planeta com uma grande mancha escura é, na verdade, um globo ocular com um tumor de coroide, um câncer. É o olho da Shirley de Souza Marques. Veja no vídeo acima. “Diagnosticou um tumor de 4,1 milímetro dentro de um período para tratamento. A partir de 6 milímetros ele já começa a não ter mais chance de tratar, com 9 milímetros é a enucleação total do globo ocular”, explica a recepcionista. Enucleação é a retirada total para a colocação de um olho de vidro, mas no caso da Shirley havia opção. “A braquiterapia é um tratamento que consiste de uma radioterapia de contato. A grande vantagem é a tentativa da preservação do olho e da visão, sendo uma radiação focalizada para aquela região do tumor”, aponta a oftalmologista Márcia Motono. Descobrir a doença no comecinho, como aconteceu com a Shirley, representa uma enorme vantagem para chegar à cura. Mas muitos brasileiros que dependem do SUS já começam em desvantagem. Demoram na largada, que é o diagnóstico. Além disso, há barreiras pela frente, elas são muitas e atrasam ou derrubam quem sonha com a vitória. A primeira barreira Shirley encontrou no hospital federal onde teve o diagnóstico. “Faz braquiterapia no hospital São Paulo, mas não tem verba para a placa. Não tem verba, não tem dinheiro”, diz. Ela continuou a corrida, só que agora na pista estadual. “Eu fiquei o dia inteiro no Hospital das Clínicas fazendo exames. A solução: ‘Não faz, não fazemos braquiterapia, o Hospital das Clínicas não faz o tratamento braquiterapia ocular’”, conta. A angústia só aumentava. “Falava para meu filho assim: ‘Filho, mamãe sai de casa com uma bolsa de exames e na outra mão é uma bolsa de esperança. Aí eu chego nos lugares, a bolsa de esperança fica no lixo’”. O medo da doença se espalhar fez Shirley pensar em desistir de preservar o olho. “Falei: ‘Eu vou tirar, não quero mais’. É muito não, é muita humilhação, é muito sofrimento. Então se no Hospital São Paulo fazem a enucleação, é a enucleação que vou fazer”, diz. O marido sofria junto, mas não a deixava fraquejar. O fim da maratona, para chegar ao tratamento, estava na pista municipal. Só que Shirley teria que partir do zero. Como mora em Osasco precisou de um comprovante de residência de parente em São Paulo para entrar na fila do município. “E eu entrei no sistema siga. Aí a fila é aquela fila a perder de vista”, lembra Shirley. O Jornal Nacional foi até a chamada Central de Regulação da cidade de São Paulo para saber como funciona esse sistema de encaminhamento dos pacientes para os especialistas e para os tratamentos contra o câncer. Os computadores estão ligados aos postos de saúde, que mandam os pedidos de quem já tem o diagnóstico de câncer. Já os institutos e hospitais que tratam a doença, oferecem vagas e horários com especialistas. Os profissionais de saúde, de olho nas telas, juntam os dois. A médica que coordena o serviço surpreende.Marli da Costa Taraia, coordenadora da Central de Regulação de São Paulo: Hoje eu não tenho fila.Jornal Nacional: Por que pessoas estão esperando então, às vezes?Marli: Na verdade falta o diagnóstico para ele ter acesso ou ele está andando de um lado para o outro e não conseguindo chegar. E ela vai mostrando os problemas: erro na ficha do paciente pode travar o sistema. “Um CEP que não foi preenchido, você para todo o serviço e vai procurar”, diz Marli da Costa. Já um hospital que não atende pode fazer um paciente de alto risco voltar para o começo da corrida. “Tentou marcar oncologia cabeça e pescoço, na Santa Casa, mas foi orientado a procurar uma UBS, porque não havia vaga. Aí tem o resultado da biopsia, que é um carcinoma espinocelular moderadamente diferenciado e invasivo”, exemplifica a coordenadora. O Brasil precisa com urgência que o sistema de regulação saia do papel e distribua os pacientes com câncer pelos serviços estaduais, municipais e federais. É uma reivindicação que ouvimos de todos os especialistas.“Acho que precisava ser um fluxo mais transparente. Que eu possa ligar para uma central ou que eu possa acessar uma internet que me fale em que lugar da fila eu estou. ‘Vai para casa que te chamo’, não dá pra ser assim”, comenta Luciana Holtz de Camargo, presidente do Instituto Oncoquia – SP.“Ao meu ver, a saída é o investimento maior em saúde. Uma gestão muito mais profissionalizada. Tentando sempre fazer uma análise muito correta de custo benefício”, diz o diretor do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, Fernando Cotait Maluf. “O Sistema Único de Saúde, ele é perfeito. Acho um sistema magnífico. O problema é a burocratização que o sistema coloca. E o câncer ele não pode ficar esperando essa burocracia. Ele avança rapidamente”, afirma Pascoal Marracini, Diretor do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho – SP.Quando a Shirley finalmente entrou no sistema, havia oito pessoas precisando do mesmo tratamento e só quatro vagas. Foi difícil, mas ela conseguiu vaga no Hospital AC Camargo, um dos melhores do país e que atende pacientes do SUS e particulares também.“Finalmente. Graças a Deus. A tão esperada hora. Era o tratamento, a batalha foi longa, mas graças a Deus estou aqui”, diz Shirley. Chegar em um centro público de excelência é uma glória. O Icesp, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, é um deles. Trata atualmente 48 mil pacientes e recebe mil novos por mês. Foi criado para fazer tratamento humanizado e de ponta. Tem até robô para a cirurgia. Mas não dá para todo mundo.“Os indivíduos fazem, na busca da cura, é uma corrida de barreira. Ele vence um obstáculo, tem que vencer um segundo, um terceiro porque é a vida dele”, aponta William Nahas, chefe de Urologia do Instituto do Câncer do Estado de SP.Cura é a palavra que a Shirley ainda tem que esperar para ouvir, mas os primeiros exames depois da cirurgia mostram que a braquiterapia foi um sucesso. A alegria é enorme.“Alívio, alívio de saber que eu estou enxergando, que eu não precisei retirar meu olho, meu globo ocular está aqui, verde, lindo, maravilhoso”, comemora Shirley.Mas a felicidade não é completa. “E as outras pessoas que estão aguardando na fila? Como estão? O que será de cada uma delas?”, questiona Shirley.

Publicado por Combate ao Câncer em Quarta, 3 de fevereiro de 2016

Página 12 de 390« Primeira...1011121314...203040...Última »