Linfoma, esse desconhecido

reynaldo gianecchini linfomaO linfoma afeta diretamente o sistema de defesa do organismo. Ele é caracterizado pelo crescimento desordenado dos linfócitos agrupados nos gânglios linfáticos. O sistema linfático funciona paralelamente ao sistema circulatório e é composto por uma vasta rede de vasos semelhantes a veias, os vasos linfáticos. Eles correm por todo o corpo: da cabeça, passam pelo pescoço (as amídalas), tórax (onde está o timo) e seguem até os pés. Há uma concentração maior de vasos nas áreas do pescoço, nas axilas e virilha. Por essa verdadeira rede corre a linfa, substância semelhante ao sangue, na qual existem glóbulos brancos. Qualquer alteração cancerosa nesse sistema é chamada de linfoma, conforme esclarece o hematologista Carlos Chiattone, chefe da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e membro do Comitê Científico da ABRALE.

Há diversos linfomas, com comportamentos clínicos e prognósticos completamente diferentes uns dos outros. Os linfomas podem se dividir em linfoma de Hodgkin (LH) e linfomas não – hodgkin (LNH). Sob a nomenclatura LNH, são agrupadas cerca de 60 doenças com manifestações clínicas muito distintas. Nesse grupo há, por exemplo, os linfomas de evolução clínica indolente, que algumas vezes não necessitam de tratamento por anos, ou mesmo pelo resto da vida. O paciente convive com o linfoma, tendo boa qualidade de vida. Por outro lado, entre os LNH encontramos doenças muito agressivas e de rápida evolução.

Quanto às células de origem, os LNH podem se dividir em linfomas B ou linfomas T, como no caso de Gianecchini. Os linfomas T – cerca de 20 diferentes entidades – têm, em geral, um prognóstico mais delicado. São linfomas mais resistentes, e para eles não existe ainda um anticorpo que possa ser utilizado. Conhecer o tipo específico de estrutura – se é B ou T – mostra-se fundamental para a condução do procedimento.

O tratamento da maioria dos linfomas B é feito com quimioterapia associada ao anticorpo monoclonal. Essa associação determinou uma melhoria significativa do prognóstico desses pacientes. Para se ter uma ideia, no linfoma B mais frequente, o chamado linfoma difuso de grandes células B, o emprego do anticorpo associado à quimioterapia aumentou a taxa de cura em cerca de 20%, determinando que atualmente seja curado um grande número desses pacientes.

O hematologista Carlos Chiattone afirma que, independentemente do tipo de linfoma, essa é a área da oncologia que registrou os maiores avanços nos últimos anos. “Existem inúmeras novas drogas sendo testadas, e nos próximos anos teremos muitas novidades no tratamento”, esclarece o médico. Nesse campo, uma nova esperança é o plerixafor, droga da farmacêutica Genzyme com o nome comercial de Mozobil. Ele aumenta o número de células-tronco em circulação no sangue, o que é necessário para que possa ser adotada outra técnica de tratamento: o transplante de medula óssea, cujo nome técnico é “transplante de células-tronco hematopoéticas”. Ele é indicado quando há falhas no tratamento primário do linfoma. “O chamado transplante é um truque para que se possa realizar uma quimioterapia com doses muito elevadas”, esclarece o dr. Carlos Chiattone. A alta administração de quimioterápicos é eficaz, mas tem como efeito colateral a lesão irreversível da medula óssea. Para evitar isso, as células-tronco são coletadas previamente e reinfundidas após a quimioterapia. As células – tronco vão então repovoar a medula óssea e, em poucas semanas, o sangue volta a ser produzido normalmente. Além da sua utilização quando o tratamento primário falha, em alguns linfomas para os quais a quimioterapia ainda não é adequada se usa o transplante como reforço do tratamento inicial. Isso ocorre na maior parte dos linfomas T, como foi o caso do ator Reynaldo Gianecchini.

Créditos: ABRALE – Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – http://www.abrale.org.br

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