Imunoterapia: a terapia inteligente

A IMUNOTERAPIA IDENTIFICA OS MOVIMENTOS DAS CÉLULAS CANCERÍGENAS E POSSIBILITA UM TRATAMENTO MAIS EFICIENTE, SEM EFEITOS COLATERAIS

imunoterapia

Por Tatiane Mota

Pacientes e médicos lutam diariamente para encontrar a cura para o câncer. Os pesquisadores trabalham de forma árdua para desenvolver medicamentos que possam não só trazer o resultado tão aguardado como também possibilitar qualidade de vida durante o tratamento.

As terapias-alvo são um importante exemplo. Há mais de uma década no País, elas têm por objetivo combater as moléculas específicas, direcionando a ação dos medicamentos exclusivamente (ou quase isso) às células cancerígenas. Dentre essas drogas, podemos citar o Imatinibe, medicamento oral utilizado no tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC).

Mas, felizmente, as novidades no tratamento não param, e agora um novo agente chega para revolucionar o tratamento do câncer no mundo todo: a imunoterapia.

As células cancerígenas são muito espertas e, por crescerem de forma rápida e descontrolada, podem enganar o sistema imunológico (responsável por combater as bactérias, vírus etc.), para que ele não as veja como uma ameaça ao desligar a resposta imune ou ao parar as funções imunológicas que poderiam destruí-las.

Mas, de acordo com o Dr. Phillip Scheinberg, chefe de hematologia clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, é aí que a imunoterapia entra em ação. “Por muito tempo, os pesquisadores tentaram fazer com que o próprio sistema imunológico reconhecesse os tumores e os atacasse. Milhares de tentativas foram pouco bem-sucedidas, mas novas drogas têm conseguido fazer isso com êxito. Seu mecanismo de ação é inovador e desenfreia o sistema imunológico, que passa a combater o câncer”, explica.

FELIZMENTE ESTAMOS CADA VEZ MAIS PRÓXIMOS DA CURA DO CÂNCER, COM A CHEGADA DAS TERAPIAS INTELIGENTES

OS REMÉDIOS INTELIGENTES ENTRAM EM AÇÃO

Inicialmente, os medicamentos imunoterápicos, também conhecidos por terapia biológica, foram estudados para combater câncer de pele (melanoma), pulmão e rim. Mais recentemente, novas drogas contra os linfomas de Hodgkin e mieloma múltiplo demonstraram alta eficácia e resultados promissores. Agora, as opções voltadas para a leucemia apresentam excelentes resultados, igualmente. Em um estudo desenvolvido recentemente pelo Abramson Cancer Center, da Universidade da Pensilvânia (EUA), em conjunto com a Perelman School of Medicine, 14 pacientes com leucemia linfoide crônica utilizaram a terapia biológica nomeada de CTL019. Oito responderam bem ao tratamento – quatro apresentaram remissão total da doença, e quatro, resposta parcial.

Estudiosos da Europa e dos Estados Unidos, por sua vez, testaram um medicamento para leucemia mieloide aguda (LMA). No total, 137 pacientes participaram da pesquisa, e a maior parte deles apresentava uma mutação no gene FLT3-ITD, responsável pela produção de uma enzima que permite a multiplicação de células-tronco da medula óssea. O medicamento testado, denominado Quizartinib, bloqueia a produção dessa enzima. Cerca de 44% conseguiram obter a remissão completa. “Atualmente, alguns protocolos de tratamento combinam drogas biológicas às terapias quimioterápicas convencionais. Em alguns estudos, o uso dessas drogas aconteceu em pacientes que já não mais respondiam à quimioterapia, e também foram efetivos. Felizmente estamos cada vez mais próximos da cura do câncer, com a chegada dessas terapias inteligentes, que apresentam menos efeitos colaterais. Mas ainda é cedo para saber se realmente esses novos medicamentos serão curativos”, diz o Dr. Phillip.

ALÔ, ANVISA, NÓS AINDA PRECISAMOS IMPORTAR ESSES REMÉDIOS

No Brasil, a imunoterapia só pode ser praticada com o Ipilimumab, utilizado para o melanoma, disponível no mercado. Todos os outros medicamentos já desenvolvidos mundo afora podem ser utilizados apenas por meio dos estudos clínicos ou de importação. E, infelizmente, eles são muito caros. Há casos em que chegam a custar 90 mil reais.

ENTENDA A IMUNOTERAPIA:

Ela pode ser ativa ou passiva, de acordo com os mecanismos e a ação dos medicamentos utilizados.

ATIVA: as substâncias utilizadas para estimular e restaurar a função imunológica têm por objetivo intensificar a resistência ao crescimento do câncer.

PASSIVA: também chamada de adotiva, sua finalidade é proporcionar capacidade imunológica no combate à doença.

Créditos: ABRALE: http://www.abrale.org.br

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