De olho no linfoma

SE ELE FOR DESCOBERTO NO COMEÇO, AS CHANCES DE VENCER ESSE TIPO DE CÂNCER DO SANGUE CHEGAM A 95%

linfoma

Nos últimos anos, muito tem se ouvido falar sobre linfoma. É fato que as personalidades diagnosticadas com a doença, como o ator Reynaldo Gianecchini e até mesmo a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, fizeram com que o assunto chegasse a milhares de pessoas. Mas o aumento da incidência também foi um importante agente para que os sintomas do linfoma passassem a receber maior atenção, e para que ele fosse incorporado às estatísticas do Inca (Instituto Nacional de Câncer). Para se ter uma ideia, o número de casos praticamente duplicou nos últimos 25 anos.

O QUE É LINFOMA?

De maneira geral, os linfomas são tipos de câncer que nascem no sistema linfático, presente em todo o corpo. Tudo começa quando os linfócitos, células responsáveis por criar anticorpos naturais que combatem as infecções, passam a crescer e se multiplicar de forma descontrolada, formando os nódulos. Dr. Guilherme Perini, médico hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, diz que ainda não se sabe o porquê do surgimento do linfoma e de seu aumento de casos. “Com certeza o envelhecimento da população contribuiu para isso, já que o linfoma é uma doença de maior incidência em idosos. Também aumentaram as situações de imunossupressão, causada por doenças ou medicamentos, que também podem ser um fator de risco.”

OS TIPOS DA DOENÇA:

O linfoma é dividido em dois subtipos: o linfoma de Hodgkin (LH) e o linfoma não Hodgkin (LNH). A diferença entre eles está no grupo de células acometidas – no LH, as células com câncer sofrem diversas alterações e se tornam muito diferentes das células normais, enquanto que as cé- lulas do LNH, embora também sofram as transformações, mantêm algumas de suas características.

O CORPO DÁ SINAIS

Dentre os principais sinais da presença do linfoma, estão o aumento dos gânglios linfáticos nas áreas do pescoço, axilas e virilha. Quando o linfoma atinge a região do tórax, a pessoa pode apresentar tosse, dificuldade para respirar e dor. O paciente também pode ter: febre, suor noturno, perda de peso e de apetite, cansaço e coceira. Este último é considerado um dos sinais mais incômodos. “O prurido é um sintoma relacionado com alguns tipos de linfoma, como o de Hodgkin. Realmente ele pode ser muito desconfortável, sendo o pior que o paciente apresenta. A tendência é que, com o tratamento, desapareça. Mas existem aqueles que vão apresentar a coceira como efeito colateral dos medicamentos. Por isso, é fundamental que o médico acompanhe tudo bem de perto e avalie qual a melhor opção para que esse sinal seja amenizado.”

O LINFOMA NASCE QUANDO OS ANTICORPOS QUE COMBATEM AS INFECÇÕES SE MULTIPLICAM DE FORMA DESCONTROLADA

É O MÉDICO QUEM FAZ O DIAGNÓSTICO

Vale sempre lembrar: quem definirá se os sintomas apresentados são, de fato, linfoma será o hematologista, médico especialista nesse tipo de câncer. A resposta virá após a realização de exames específicos, a começar pelo exame de sangue (hemograma) completo. Se as alterações forem constatadas, será preciso realizar uma biópsia da medula ou do nódulo (caso ele esteja presente), para confirmar a doença. Os exames de imagem, como o raio x e o PET Scan, também podem ser importantes, pois ajudam a mostrar a presença de nódulos. O PET Scan, inclusive, aponta se o paciente está respondendo ao tratamento.

QUANTO MAIS CEDO IDENTIFICAR, MELHOR

É fundamental procurar um médico ao notar algo diferente em seu corpo. De acordo com o Dr. Guilherme Perini, com a evolução dos tratamentos, as chances de cura para o linfoma podem chegar a 80%, se diagnosticado precocemente. Para alguns subtipos, elas aumentam para até 95%. “Hoje, como principais opções terapêuticas, temos quimioterapia, imunoterapia e radioterapia. Elas também podem ser utilizadas juntas, caso seja necessário. O transplante de medula óssea continua como opção válida. Em alguns subtipos de linfoma, ele é incorporado na primeira linha de tratamento. Para outros, ele serve como terapia de resgate nos pacientes que falharam com as primeiras alternativas. Acredito que veremos grandes revoluções no tratamento nos próximos anos.” Atualmente, muitas pesquisas clínicas com novos medicamentos estão em andamento, e eles devem ser incorporados ao tratamento rapidamente. Dentre os medicamentos em estudo estão Ibrutinib, Idelalisib e Venetoclax, entre outros.

Créditos: Revista ABRALE – http://www.abrale.org.br

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