Cor para aliviar a dor

OS LIVROS DE COLORIR SÃO UMA ÓTIMA ALTERNATIVA PARA DAR UMA PAUSA NA MENTE E DIMINUIR O ESTRESSE DOS PACIENTES COM CÂNCER

arteterapia

Mandalas, bichos, folhagens, símbolos mitológicos e até rostos humanos. Os livros de colorir podem ser de muitos tipos, e pela diversidade alcançaram públicos de todas as idades, culturas, profissões e situações. Por quê? “Por si só, colorir é muito prazeroso. Ativa o sistema límbico do cérebro, que é o responsável pelo controle de nossas emoções e tem papel importante na regulação do estresse”, responde Maria Cecilia Gonçalves Rocco, especialista em arteterapia pelo Instituto Sedes de São Paulo. Para ela, o fato de isso ter virado febre tem a ver com busca interior. “No mundo contemporâneo, estamos sempre à procura de novas tecnologias ou achados que nos façam mais felizes e completos. Ao ver que colorir figuras, mandalas e outros desenhos virou uma mania mundial, entendo que estamos tão saturados de tanta informação que nossa mente necessita encontrar tranquilidade numa tarefa tão simples.” Tranquilidade que todo paciente em tratamento contra uma doença como o câncer deseja alcançar, o que explica o fato de hospitais estarem distribuindo livros do tipo.

A SATISFAÇÃO E O BEM-ESTAR VÊM PELA BELEZA E SENSAÇÃO DE DEVER CUMPRIDO

A IDEIA É FAZER A MENTE “ESQUECER” OS PROBLEMAS

Assim como outras formas de exercer a arteterapia, colorir pode ser um excelente meio de o paciente tirar, ainda que momentaneamente, o foco da dor ou da angústia. “Quando nos sentamos para a atividade de colorir, estamos dando uma pausa na rotina, dando foco e concentração à criatividade, que é fundamental para nosso bem-estar mental. Para o paciente oncológico, a atividade alivia o estresse e coloca a mente em outra função. Escolher o desenho e as cores a serem usadas, iniciar e terminar uma obra causam satisfação e bem-estar, pela beleza e sensação de dever cumprido”, completa Cecilia.

ALÉM DE ALIVAR A ANSIEDADE, COLORIR AJUDA EM OUTROS ASPECTOS

Desenhar é uma prática ancestral, que ajudou o homem na comunicação e no registro da sua evolução. Agora, a atividade tomou novo sentido ao ser reinserida, aproximando pais e filhos, ajudando idosos a melhorarem a coordenação e a memória e pessoas em situação de estresse a se desconectarem momentaneamente dos problemas do dia a dia. “O importante é encontrar prazer colorindo. De nada adianta seguir uma moda se não é algo que lhe faz bem.” Essa é a premissa da arteterapia, aliás: alcançar o bem-estar por meio de atividades ligadas às artes. “Na prática, ela é um processo terapêutico que trabalha com a criação e a elabora- ção artística, por meio das várias técnicas das artes plásticas, em prol da saúde, do autoconhecimento e do bem-estar”, explica a especialista.

ARTETERAPIA É PROTOCOLO NO TRATAMENTO

Diferente das terapias tradicionais, ela promove uma triangulação entre o arteterapeuta, o paciente e a arte criada por ele durante as sessões, e resgata o potencial criativo do homem, buscando a psique saudável e estimulando a autonomia e a transformação interna para a reestruturação do ser. “No caso do paciente oncológico, ela também possibilita melhorar o processo de autoestima e aumentar a autoconfiança para superar etapas que serão vividas durante o tratamento.”

A ARTE CRIA SÍMBOLOS DE FORÇA E ESPERANÇA

Diante de um diagnóstico “positivo” de uma doença grave, o paciente vivencia uma avalanche de sentimentos e sensações desconfortáveis e devastadoras. Muito estresse, medo, inseguran- ça, raiva, entre outros sintomas, simbolizam ao paciente mudanças difíceis à frente. O apoio familiar e terapêutico nesse momento é imprescindível, mas nem sempre é oferecido em sua totalidade. “A arteterapia vem, no momento atual, somar a outras disciplinas nos cuidados ao paciente oncológico, que por meio do processo artístico poderá encontrar a ressignificação da própria vida, lidando com a realidade vivenciada durante a trajetória de doença e do tratamento, observando e alterando sua própria obra e assim criando um movimento de reconstrução da sua história pessoal”, diz a arteterapeuta. Em resumo, a arteterapia oferece um espaço aberto e acolhedor para a elaboração de conteúdos internos de forma lúdica e prazerosa a todos. “E, especificamente para os pacientes, ela objetiva fazer uma conexão entre o físico e o mental e oferecer concretamente, por meio do símbolo da criação, força, coragem e esperança para enfrentar as novas etapas que virão.”

Créditos: ABRALE – http://www.abrale.org.br

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