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ASCO 2017 – Acompanhe as novidades do maior congresso de oncologia do mundo

O congresso americano de oncologia (conhecido como a ASCO) aconteceu entre 01 a 06 de junho deste mês e lá foram apresentadas as principais novidades do tratamento do câncer.

Confira algumas as novidades apresentadas:
Sobre o câncer de intestino, uma análise de um conjunto de estudos clínicos tentou avaliar a redução do tempo de quimioterapia após a cirurgia. O tempo padrão é de seis meses de quimioterapia para a maioria dos pacientes, com o uso de uma medicação chamada oxaliplatina, que causa formigamentos e perda de sensibilidade em mãos e pés, sintomas que podem se tornar crônicos em uma parcela de pacientes. Os dados apresentados mostraram que para um grupo de pacientes (a depender do tamanho do tumor e do número de gânglios acometidos) o tempo de quimioterapia pode ser reduzido para três meses, e o efeito colateral da oxaliplatina pode ser minimizado.
– Estudo muito interessante apresentado mostrou a importância do relato dos sintomas pelos pacientes para a equipe multidisciplinar oncológica. Um hospital americano disponibilizou uma tabela de sintomas a ser preenchida pelos pacientes via computador. Todas tabelas eram reportadas nas consultas médicas e quando os pacientes apresentavam sintomas graves ou severos, a equipe era comunicada e entrava em contato com os pacientes. Essa atitude levou a um aumento de sobrevida de cinco meses no grupo estudado em comparação ao grupo controle. Esse aumento em sobrevida é maior do que o ganho de muitas medicações novas em oncologia. Outro estudo comprovou que a realização de atividade física contribui para evitar a fadiga e cansaço decorrente da quimioterapia.
– Sobre o câncer de próstata, atualmente os pacientes que realizam cirurgia e apresentam características de alto risco de recidiva são submetidos à quimioterapia por seis ciclos pós cirurgia. Estudo apresentado investigou pacientes neste contexto clínico para o uso da medicação abiraterona, droga oral utilizada na doença recidivada. O estudo mostrou aumento em sobrevida e boa tolerância dos pacientes, podendo ser uma alternativa para evitar a quimioterapia.
– No câncer de mama, cerca de 20% das pacientes apresentam mutação do gene BRCA. A medicação Olaparibe, droga oral desenvolvida para pacientes com esta mutação, foi estudada em pacientes com câncer de mama metastático versus quimioterapia. O Olaparibe mostrou aumento do tempo para evitar a recidiva e a resposta da medicação contra a doença. Trata-se de droga bem tolerada, que virá como mais opção de tratamento para as pacientes.

Dra Graziela Zibetti Dal Molin – oncologista clínica do hospital São José/ Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente pós graduanda do hospital MD Anderson/EUA.