A usina de Fukushima, no Japão, em foto tirada em novembro de 2011. David Guttenfelder/AP
Um estudo publicado nesta semana por pesquisadores da Universidade de Stanford tenta estimar quantos casos de câncer e quantas mortes acontecerão por causa da exposição à radiação emitida no acidente da usina nuclear de Fukushima, no Japão.
Segundo os autores, a estimativa mais provável é de cerca de 130 mortes causadas pela exposição à radiação – um número bem menor do que as mortes causadas pelo terremoto e tsunami, quando morreram 20 mil pessoas.
O problema está na dificuldade de fazer esse tipo de estimativa, já que os cálculos apresentam alto grau de incerteza. Por exemplo, a quantidade de casos de câncer pode ser baixa, com apenas 24 pessoas afetadas, ou alta, com 2.500 pessoas afetadas. A quantidade de pessoas que morrerão de câncer vai de 15 até 1.300 (com a estimativa de 130 mortes sendo considerada a mais provável), uma margem de erro muito grande.
Apesar das incertezas, o estudo apresenta dados interessantes. Por exemplo, cerca de 80% da radiação emitida por Fukushima após o acidente foi levada, por correntes de ar e vento, para o oceano, reduzindo a exposição da população japonesa. Se um acidente da mesma magnitude ocorresse em uma usina nuclear na Califórnia, os pesquisadores estimam que 25% mais pessoas morreriam, já que os ventos levariam a radiação para o interior dos Estados Unidos, e não para o oceano.
Antes do acidente em Fukushima, 440 reatores nucleares estavam em atividade no mundo. Após o acidente, países como a Alemanha anunciaram planos para desativar usinas. O Japão fechou temporariamente todos os reatores para testes de segurança, e está reabrindo as usinas nucleares aos poucos. Até o momento, dois reatores já voltaram a funcionar.
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(Bruno Calixto)
Fonte: Revista Época Online
